quarta-feira, março 23, 2011

A crise política mais estúpida de sempre

«22 Março2011 11:07
Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt
Conhece a expressão "morrer na praia"? Esqueça. Portugal chegou à praia, viu lá um poço e atirou-se.
Os donos da praia, que tinham o posto de S.O.S em alerta, nem querem acreditar nos seus olhos. Em vez da maca para doentes, atiramo-nos para a cama de pregos dos faquires. Estas eleições não são um suicídio, são um homicídio. Estamos nisto desde Outubro, escapámos por um triz à entrada do FMI em Novembro, o BCE e a Comissão Europeia emprestaram-nos dinheiro e tolerância para ganharmos tempo e entrarmos já na nova forma de ajuda externa, menos intrusiva e cara do que a grega e irlandesa. E Portugal, depois de cinco meses de resistência, de negociação e de ajudas, chega à véspera da Cimeira Europeia e fica sem Governo. Na véspera! É inacreditável, é lamentável, é irresponsável. Salve Luís Amado, o dissonante, o esclarecido, o isolado, que em Bruxelas, Frankfurt e Berlim conhece o sabor do pão que o diabo tantas vezes amassa. Desde que tomou posse que este Governo está a prazo. Por isso Sócrates constituiu um Executivo manso, por isso negou evidências, por isso faz jogos de palavras com uma notável capacidade de esquecer o que disse antes que faz de qualquer amnésico um homem sempre actualizado. Mas é este o Governo que está eleito pelos portugueses, é a este Governo que tem de cumprir a função de governar. Estas eleições são um crime porque acontecem no pior dia possível, ameaçando o sucesso da própria cimeira do euro que nos ia acudir. Estas eleições são um crime porque Portugal tem até Junho dez mil milhões de euros para pedir emprestados, porque a banca está em stress, porque as empresas públicas estão a ficar sem dinheiro. Estas eleições são um crime porque vão produzir meses de foguetório político para eventualmente chegar a minorias e inviabilidade negocial entre PS e PSD. Estas eleições são um crime porque são contra o interesse nacional, contra os portugueses, contra a sensatez. Se é crime, há culpado e não é preciso jogar Cluedo: Sócrates foi o primeiro responsável por esta crise política, como admitiu ontem Luís Amado, fosse por calculismo político ou por cegueira não ensaiada. Passos Coelho podia ter evitado a crise, se engolisse outro elefante, e pode mesmo perder nestas eleições o que ganharia noutras daqui a mais tempo. Ou seja: depois da ajuda externa que ainda não chegou mas já partiu. Portugal está mentalizado para eleições, mas não está preparado para eleições. Só um milagre de último minuto pode evitá-las. Sim, um milagre, porque estão cruzadas as únicas duas mãos humanas mandatadas para travar esta imolação política regada com gasolina da demência. Cavaco Silva é Presidente da República. É sua função zelar pelo regular funcionamento das instituições. Talvez o Presidente ainda nos surpreenda. Talvez nos mostre que as suas palavras na tomada de posse não eram vistosos invólucros de pólvora seca. A impotência não é uma função, é uma resignação. Vamos para a sétima eleição antecipada desde 1979. Os países estáveis têm eleições de quatro em quatro anos, Portugal tem uma eleição antecipada de quatro anos e meio em quatro anos e meio. Ninguém se governa assim. Entretanto, há um PEC IV, que tem de ser mais do que o PEC que fica entre o III e o V. Caro Eng.º Sócrates, governe; caro Professor Cavaco, presida. De outra forma, não somos apenas nós que não merecemos ir a eleições, são os senhores que não merecem ser eleitos. Quem diz que a economia dominou a política não conhece Portugal.»

4 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Como é que é possivel que alguem entenda e defenada que fosse possivel continuar o governo de José Socrates??? Se vier o FMI, pois pode ser que as contas do nosso país se endireitem de uma vez! Sim, porque a ganhar novamente o mesmo tipo que nos colocou aqui....o melhor que fazemos é emigrar. O povo teve o que merecia: não votaram??? Então agora têm o que pediram!

março 24, 2011 2:21 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Como é que é possível que alguém ainda não tenha percebido que Sócrates e Passos Coelho representam uma e a mesma coisa! Claro que há diferença de palavras, de pose e de (aparentemente) companhias! E de políticas? E de caminhos? E de resultados? Com a entrada do FMI vão acabar os sacrifícios? Vão acabar os PEC? Ou vão ser piores e impostos mais agressivamente?

Quando é que deixamos de olhar para o umbigo e nos preocupamos, a sério, com o todo, o geral, o colectivo?

É mais difícil, não é? Pois é.

março 30, 2011 12:57 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Permita-me esclarecer: Passos Coelho difere em mto de Sócrates! Não me vou perder em grandes considerações porque parece-me manifesto que seria uma absoluta perda de tempo, mas reflita um pouco, por favor: quem institui o conceito de Estado Mama (pedroe-me a expressão) em que nos encontramos com toda a gente a achar que o Estado deve tudo!??? Que é o Estado que tem de dar, e dar, e dar tudo!? Vão trabalhar! Privatizem e deixem o mercado actuar! o Estado Social Mama tem de terminar! E é do medo que tudo qto é subsidio acabe é que todos temem! Só assim se justifica que um tipo como este tenha sido eleito por mais que uma vez!

março 30, 2011 3:31 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

O seu comentário é esclarecedor!
Sem comentários ...

março 31, 2011 10:25 da manhã  

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